domingo, 4 de agosto de 2024

Um programa não-identitário


Reproduzimos abaixo dois interessantes artigos de Tiago Medeiros, em sua discussão sobre o identitarismo.

Fazemos apenas um apontamento crítico. O autor realiza, dentro de textos curtos, uma rica e consequente análise do identitarismo como uma corrente de opinião que se difunde na (base) da sociedade. Entretanto, há algo que falta, apesar de, em alguns momentos, ser citado por ele. 

"Estes (os identitários) constituem uma elite cultural que se conecta e se afina com uma elite do poder e com uma elite financeira, cosmopolita e metropolitana."

A análise e caracterização do fenômeno do identitarismo tal como ele se desenvolve mais diretamente em nosso dia a dia, não deve nos levar a obscurecer ou secundarizar que, se na base da sociedade ele é uma corrente de opinião e, hoje, uma corrente de opinião hoje hegemônica, pois atende aos interesses hegemônicos, dominantes (leia-se, faz alguém lucrar). Diferentemente do que o autor afirma, a principal beneficiária do identitarismo não é a própria elite cultural identitária - não obstante, esta lucre muito, em termos de poder, prestígio, cargos, riqueza, etc. -, e sim a elite financeira com a qual se articula. Os agentes identitários (diretos ou indiretos) são funcionários descartáveis. Como o próprio autor coloca. Quem hoje é o inquisidor identitário, amanhã, pode passar por um processo de perseguição e cancelamento, perdendo, da noite para o dia, todas suas benesses. Como em qualquer empresa capitalista rentável, o funcionário pode ser demitido amanhã. Quem comanda é quem paga seus salários. 

Do ponto de vista político, a principal tarefa é dupla: por um lado, tal qual propõe Tiago Medeiro, buscar desarticular os mecanismos do identitarismo na sociedade, se contrapor a suas imposições (tendo em vista ser um movimento de elite e antipopular) e construir um programa alternativo. Por outro - e é isso que suas análises deixam de apontar - descortinar as conexões entre a "elite" cultural identitária e os centros de poder político e financeiro que sustentam todo esse jogo. Com que objetivos? De que forma e por quais meios?

Seguem os textos.

Um programa não-identitário

A corrente de opinião identitária: atores e performances